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Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

23.Abr.08

DIZ-ME O QUE COMES... E DIR-TE-EI SE É MENINA OU MENINO!


Segundo um artigo publicado na Royal Science Journal Biological Sciences, a dieta praticada pela mulher na altura da concepção pode contribuir para determinar o sexo do bebé. Assim, uma dieta hiper-calórica, incluindo pequenos-almoços regulares, pode aumentar as probabilidades de se ter um rapaz.

Os cientistas da Universidade de Exeter e Oxford procuram assim explicar a relação entre a moda das dietas baixas em calorias e a proporção do número de rapazes e raparigas no Reino Unido.

Segundo o estudo que usou uma amostra de 740 mulheres grávidas pela primeira vez no Reino Unido, 56% das mulheres que ingeriam mais calorias na altura da concepção tiveram rapazes e entre as que ingeriam menos calorias, a percentagem foi de 45%.

As mães de meninos ingeriam mais nutrientes, incluindo potássio, cálcio e vitaminas C, E e B12, e tomavam pequeno-almoço com cereais.

Nos países industrializados, tem-se registado uma diminuição ligeira nos últimos 40 anos no nascimento de bebés do sexo masculino (menos um em cada mil). E, por outro lado, têm nascido mais meninas.

Curioso no mínimo, não?


09.Abr.08

O CAFÉ E A BARREIRA HEMATOENCEFÁLICA



Regresso, após muito prolongada ausência, com boas notícias para os amantes de café, grupo em que, claro está, me incluo.

Um estudo recente da Universidade de Dakota do Norte nos EUA demonstra que a cafeína protege o cérebro contra doenças neurológicas.
Os cientistas descobriram que a cafeína reforça a barreira hematoencefálica (BHE), uma membrana presente no encéfalo, constituída por células endoteliais  justapostas e em íntima relação com os capilares cerebrais cuja função é prevenir a passagem de substâncias químicas da corrente sanguínea para o cérebro, protegendo-o contra as mesmas. Esta barreira é dotada de uma permeabilidade selectiva que se torna fundamental para a protecção do cérebro contra substâncias presentes no sangue e que o possam lesar, evitar a passagem de certas hormonas e neurotransmissores em circulação pelo restante organismo e, por conseguinte, é responsável pela manutenção de um bom funcionamento cerebral.



A cafeína já era reconhecida como uma importante substância para a estimulação do coração e para a dilatação dos vasos sanguíneos periféricos. É também um importante diurético e um "antídoto" para a depressão respiratória como consequência de uma intoxicação por drogas ou barbitúricos.
Ao reforçar a BHE, a cafeína pode proteger o cérebro contra problemas neurológicos, causados por dietas ricas em colesterol, e prevenir doenças como Alzheimer, segundo este estudo.

A equipa de investigação, que publicou a pesquisa na revista científica Journal of Neuroinflammation, alimentou coelhos com uma dieta rica em colesterol e dividiu os animais em dois grupos, sendo que um deles consumia o equivalente a um café por dia (cerca de 100mg cafeína) e o outro não consumia cafeína.



 

Após 12 semanas, os investigadores identificaram que a barreira hematoencefálica dos que ingeriram cafeína estava menos danificada pelo colesterol, que a do segundo grupo, pelo que concluíram que «o ingrediente parece bloquear os efeitos prejudiciais do colesterol, o que pode ter um papel importante no tratamento de problemas neurológicos».
Embora sejam necessárias mais estudos para tentar extrapolar estes resultados à espécie humana, este parece ser um passo determinante para a prevenção de doenças neurológicas, cada vez mais preocupantes e mais presentes na população, como a Alzheimer.



No entanto, a moderação é sempre a palavra de ordem. Não deve ser esquecido que a ingestão excessiva de cafeína pode causar, em algumas pessoas, irritabilidade, insónias, ansiedade, agitação e cefaleias. Além disso os pacientes que sofram de arritmias cardíacas devem abster-se dessa substância, mesmo que em diminutas doses. Altas doses de cafeína excitam excessivamente o sistema nervoso central (SNC), tornando-se letais a partir das cerca de 10g de cafeína.